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Brasil registra primeiro caso de ‘superfungo’ fatal e Anvisa emite alerta

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Na última segunda-feira (7), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre uma investigação em curso do possível primeiro caso positivo de Candida auris, fungo resistente a medicamentos, no Brasil.

No texto, a agência informou que o Candida auris (C. auris) “é um fungo emergente que representa uma séria ameaça à saúde pública”. A infecção causada por esse vírus pode ser fatal.

No mundo, a estimativa é que o fungo tenha levado à morte de entre 30% e 60% dos pacientes. De acordo com o alerta, o fungo foi identificado em “amostra de ponta de cateter de paciente internado em UTI adulto em hospital do Estado da Bahia”.

A amostra foi analisada pelo Laboratório Central de Saúde Pública Profº Gonçalo Moniz (Lacen-BA), em Salvador, e pelo Laboratório do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Ainda segundo a Anvisa, a amostra passará por “análises fenotípicas [para verificar o perfil de sensibilidade e resistência]” e “sequenciamento genético do microrganismo (padrão-ouro)” até a confirmação oficial do caso.

Com o possível caso, a agência reguladora ressaltou que é preciso reforçar a vigilância laboratorial do fungo em todos os serviços de saúde do Brasil.

Candida auris

O fungo Candida auris foi identificado pela primeira vez em 2009 em uma paciente no Japão. A partir daí, novos casos foram registrados na Índia, África do Sul, Venezuela, Colômbia, Estados Unidos, Israel, Paquistão, Quênia, Kuwait, Reino Unido e Espanha.

Em 2016, o braço da Organização Mundial da Saúde para a América Latina e o Caribe, Opas, emitiu um alerta sobre as medidas de prevenção e controle por causa de surtos relacionados ao fungo.

O fungo pode ser confundido com outras infecções. “O C. auris sobrevive em ambientes hospitalares e, portanto, a limpeza é fundamental para o controle. A descoberta (do fungo) pode ser uma questão séria tanto para os pacientes quanto para o hospital, já que o controle pode ser difícil”, disse a médica Elaine Cloutman-Green, especialista em controle de infecções e professora da University College London (UCL).

Uma pesquisa publicada em 2017 por Alessandro Pasqualotto, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, analisou 130 laboratórios de centros médicos de referência na América Latina e apontou que apenas 10% deles têm capacidade de detecção de doenças invasivas de fungos de acordo com padrões europeus.

De acordo com a Anvisa, o surto em 2016 em Cartagena, na Colômbia, é um exemplo de como o micro-organismo é difícil de identificar. Foram identificados cinco casos de infecção como três fungos diferentes antes do Candida auris.

Resistência

A resistência aos antifúngicos comuns, como o fluconazol, foi identificada na maioria das cepas de C. auris encontradas em pacientes.

“Há registro de resistência à azólicos, equinocandinas e até polienos, como a anfotericina B. Isso significa que o fungo pode ser resistente às três principais classes de drogas disponíveis para tratar infecções fúngicas sistêmicas”, escreveu o epidemiologista e microbiologista Alison Chaves em uma rede social.

Diversas análises de DNA apontam que genes de resistência antifúngica presentes no fungo têm passado para outras espécies de fungo, como a Candida albicans (C. albicans), um dos principais causadores da candidíase (doença comum que pode afetar a pele, as unhas e órgãos genitais).

Reportagem: Gazeta de S. Paulo

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